depois de ganhar um arlindo machado de presente de dia dos namorados, de tomar cappuccino de chocolate com creme, de ver meu amor usando seu lindo pullover, a gente voltou no mesmo motel do centrão de cinco anos atrás. nós já chegamos a essa conclusão, mas é sempre bom lembrar, mesmo em silêncio (porque hoje eu não disse, nem ele): nesse caso, as melhores coisas acontecem nos piores lugares.
pegamos carona pra voltar pra casa, mas antes disso, eu e ele ficamos no ponto do ônibus olhando pra saia e pros decotes das mulheres na rua, pras camisas apertadas dos marombados feios e "gatões"... pra essa gente que se vestiu adequadamente pra ocasião, diferentemente de mim, que botei meu velho tênis all star, minha amarrotada calça caqui aquela blusa surrada com estampa de florzinha que não aguento mais. no estilo, neám! ele, ao contrário, estava impecável no seu pullover xadrez e gravata listrada. me mata de ódio e de tesão...
a mentira: não tem nada mais excitante que um homem elegante e uma mulher mal enjambrada...parece até cena de filme! é claro que pensei isso pra não me subestimar, mas vai ver que é justamente nisso que reside a parcela mais significante do meu romantismo...
a gente tentou adivinhar se as moças já tinham comido seus homens ou se ainda iriam comer, se os casais de pseudo ricos que saíam do sesc palladium já tinham feito o que tinham que fazer ou iam continuar discutindo a peça, o show ou o filme sobre "não interessa. estou pensando no que vai acontecer depois", que eles usaram como preliminar pro sexo ou pretexto pra depois não ouvir que eles nunca fazem nada romântico, aff....enfim, pensamos se eles iriam ou não comemorar dignamente o dia dos namorados como nós, hahaha!
e depois de me contar sobre o desespero de um colega de trabalho solteiro que estava em busca de alguém exclusivamente para esta ilustre noite, pensei se todos, cada qual ao seu modo, seguem essas regrinhas inventadas estúpidas das datas comemorativas. vejamos: será que todos os casais trocam presentes? será que a maioria espera mesmo ouvir algo romântico e se chateia se não ouvir? será que a maioria está realmente afim de sexo? será que os policiais que vimos no motel passaram por lá só pra checar a identidade falsa de alguma mocinha menor ou foram fazer um ménage à trois? será que todos os solteiros vão conseguir encontrar uma transa casual? será que temos todos que transar nesse dia, ora?
eu estava realmente afim, mas quem diria o contrário? olhando por esse lado, nós dois somos muito convencionais: trocamos presentes, saímos pra comemorar, transamos...só não botei decote e perna de fora, mas o pullover, a gravata e o terno dele compensaram o meu desleixo.
é ridículo pensar que na minha cabeça, no entanto, a gente é diferente de todos os outros! nossos assuntos são únicos, dos mais diferentes e intrigantes! nosso café é o melhor e nossos dramas são melhores. nosso sexo é melhor e por aí vai... vai ver que romantismo é isso mesmo, fazer tudo igual, só que diferente. ou seja, romantismo não existe. e não deve existir mesmo, é tudo inventado pra alimentar o capitalismo, etc, etc, etc... claro, românticos de verdade, só eu e fred.
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