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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Raquel, Flávia e uma segunda-feira qualquer

Ah, segunda-feira! Dia de levar 1 hora e meia pra chegar no trabalho. Dia de IR para o trabalho!

Peguei chuva no caminho pra aula. Peguei chuva no prédio da escola. Sofri bullying em sala, rs.
Depois voltei cansada pra casa. A vida pesou um pouco porque nunca vejo alegria nos dias de chuva. Cheguei.

Antes disso, conheci a Raquel: moça alegremente inquieta, gentil, cheia de graça. Tomei com ela um café de máquina. Ops, um café não, um mocaccino que, na opinião dela, é o que tem de melhor por lá. Comemos biscoito de queijo. Ela pagou. E esperou com paciência a demora do meu xerox.

Ah! Segunda-feira também é o dia de perder aula! Pois bem.

Eu e Raquel passeamos repetidas vezes pelo prédio. Passamos pelos mesmos lugares. Falei de mim. Ela falou dela. Rimos um pouco. Como é bom conversar com um desconhecido pela primeira vez, pensei! Depois deixam de ser desconhecidos...não haverá mais primeira vez...Hahaha! Deixa pra lá!

Nesse meio tempo descobri coisas a seu respeito e também mostrei a ela, sem querer, algumas de minhas fraquezas. Percebi nela uma leve nostalgia, mas não devo dizer nada.

O que sei dela, contudo, é bem pouco. E acho que assim será: Já viajou para o Canadá. Me chamou de querida. Queria que eu lembrasse, de todo jeito, a localização da sala. Nada. Estudou comunicação, mas trabalha com cinema. Poderia tentar o mestrado, mas "não sei", "ainda tô em dúvida". É, entendo isso.

Perambulamos mais um pouco e, estou cansada, Marina, ela disse - não deve ser mineira, porque pronuncia todas as palavras inteirinhas, do começo ao fim.

Acho que vou sentar um pouco aqui e dar uns tragos, disse. Sentamos.


Alguns detalhes singelos em pouco mais de trinta minutos. Raquel, me chamou pelo nome várias vezes. Achei que ela fez isso porque queria que eu tivesse a certeza de que, pra ela, chamar alguém pelo nome é algo importante. Bom, se a intenção era essa funcionou, eu me senti importante. Se não era essa, deixa pra lá, rs...

Foram bons minutos de procura. O prédio era um labirinto sem fim. E sentadas ali, perto da moça dos doces, conhecemos a Flávia!

Conhecemos a Flávia, uma travesti que, educadamente, nos convidou para almoçar, enquanto abria gentilmente sua convidativa marmita, com um punhado de arroz. Três e meia da tarde.

A marmita era: vasilha de plástico transparente, tampa azul, muito arroz dentro. E a Flávia era: chinelo havaianas branco, cabelo cumprido espichado, blusa frente única que queria ser sensual, brincos longos, alguns dentes tortos, um popô apertado na calça jeans justa e um sorrisão bem simpático no rosto.

Sentou-se ao nosso lado e contou o quanto ela era honesta: :um dia encontrou um celular perdido e esperou a dona do aparelho entrar em contato para devolvê-lo.

Ficamos contentes em ouvir a estória e rendemos prosa. Ela disse que sempre encontra coisas. Outro dia foi uma sombrinha que tava perdida ali mesmo, mas aí, como no caso de sombrinha não tinha muito jeito, resolveu ficar com ela. Vai que chove, né, disse sorridente. Sua voz tentava ser mais aguda que a minha.

Despedimos da Flávia porque, finalmente, alguém nos indicou o caminho para a tal sala desaparecida. Boa alma!

No caminho, Raquel disse aos risos:

 Parece uma aventura, Marina. Nós aqui, perdidas na Fafich, procurando uma sala de aula... Já choveu, já parou de chover... Conhecemos a Flávia...Que figura!

 É, rende uma crônica isso, Raquel. Vontade de ir embora pra casa, sentar em frente ao computador e escrever loucamente...

 Feito. Eis o registro!

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